Muito antes da Internet se ter tornado um recurso único na divulgação da cultura vídeo lúdica, a revista Bestial! invadia as bancas das tabacarias e quiosques nacionais, corria o ano de 1993. Com uma tiragem muito reduzida, esta publicação terminou após umas poucas edições devido ao seu insucesso num mercado dominado pelas revistas internacionais ou pelas publicações nacionais dedicadas - como é o caso da Mega Force.
No entanto tive a oportunidade de adquirir os últimos dois números (?), relativos a Novembro e Dezembro. Apesar da qualidade dos textos ser inferior - na altura, com 11 anos, não o tinha notado - e da apresentação empalidecer perante a qualidade visual que temos nas revistas actuais, a sua ingenuidade e pureza merecem ser revisitadas. Numa nota mais positiva, a Bestial! vinha impressa em papel grosso e rugoso que durou bastante bem até hoje, razão pela qual custava já na altura 450 escudos. No entanto, não conseguíram escapar do desgaste natural exercido ao longo de quase quinze anos!
Fiz alguns scans da capa do número 4 e de alguns artigos no seu interior.
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Monday, June 25, 2007
Gather ye rosebuds while ye may
Yuji Naka nem sempre deteve o estatuto que detém. Todos os grandes nomes têm por detrás de si grandes obras. São estas a criações que os engrandecem e os tornam, em muitos casos, fenómenos. Hoje celebram-se mais do que nunca os responsáveis pelos processos criativos dos jogos, ainda que não o suficiente.
SONIC foi a obra com que Naka se assumiu na SEGA, tendo chegado a formar a divisão Sonic Team, uma verdadeira tábua de salvação para algumas consolas SEGA ao longo dos tempos. Mas a sua primeira criação na companhia japonesa foi GIRL'S GARDEN, um jogo cujo objectivo era o de guiar uma rapariga enquanto recolhia flores num jardim para oferecer a um rapaz. Estranha premissa, visto que o modelo cultural clássico se baseia no preciso oposto. Não existe um contador de tempo, tão apenas uma rival que também recolhe flores no mesmo jardim. Quanto mais ela se aproxima de nós mais se sente a pressão de recolher as flores necessárias e entregá-las. O íntimo contacto entre o jogador e a natureza é, de resto, um tema recorrente nos jogos deste visionário game designer.
O desenvolvimento do jogo ocorreu enquanto Yuji Naka estagiava na SEGA e vivia no dormitório Oomori, uma espécie de comunidade de trabalhadores da empresa. O cartucho foi lançado em 1985 para a consola de então, a SG-1000. O sucesso comercial foi muito moderado: das 80 mil cópias produzidas, venderam-se cerca de 40 mil tendo ficado as restantes na SEGA. Pelo que conta o próprio criador, apareceram mais tarde em Akihabara a preços simbólicos (300 Yen, não muito mais do que euro e meio).
Entretanto, tornou-se um jogo de culto para alguns e esquecido para a maioria. Todavia é possível visitar o revisitar este jardim através da emulação, creio que Yuji Naka não se importaria - consta que foi ele próprio o criador de um inacabado (e controverso) emulador de jogos NES para a Mega Drive. Vale a pena nem que seja apenas para analisar a semântica do jogo in loco e o humilde uso do carpe diem, nunca tão bucólico num formato virtual como neste GIRL'S GARDEN.
GATHER ye rosebuds while ye may,
Old time is still a-flying :
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.
Old time is still a-flying :
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.
(excerto, To Virgins, To Make Much of Time, de Robert Herrick)
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