Showing posts with label Ryuichi Sakamoto. Show all posts
Showing posts with label Ryuichi Sakamoto. Show all posts

Friday, October 30, 2009

Without further ado: Haruhiko Shono




How hard it is to manage a website - a network of internet contents - on one's own. CoreGamers begun as a project where different sorts of articles could be inserted, from modern to retro gaming, from purely nonsensical delirium to the rigor of profile and interview articles. Of all the plans and expectations I deposited in that site, together with the absent co-founder, I have only been able to carry out the one which I think to be most important; the one where I am able to contribute with a small amount of information about creators who, in spite of their importance to the field of videogames, are not usually taken into consideration by mainstream media.

Some months ago, I advertised the rare chance I was given to interview Haruhiko Shono. As mentioned in the Profile and Interview article I publish today, his name might not be of importance to the witless videogame players of the current generation. I'm sure that even older generation players will have a certain difficulty in associating his name with an actual game title. But one single word, as if by magic, might help telling apart those who truly admire the art that exists in videogames and those who claim to the industry from inside out: and that word is GADGET.

Other relics from times past make their appearance in the article; the ethereal ALICE, one of the first interactive works to appeal to the love for Arts; and L-ZONE, in which the author expresses his matured admiration for video art, machinery and the coming of the digital age. Exceptionally, I've also prepared a long gallery of media to support the article: apart from the unreleased projects, published in the parent visual blog Pixels At An Exhibition, and the several materials I've been publishing for the last months, there will be high quality videos documenting his major creations. Given the fact that the Internet has been rather useless in the research for information concerning this admirable videogame designer, I felt the necessity to bridge the gaps and provide a substantial - while not definite - account of his career and the creations that define it.

This was by far the hardest research project I've dealt with in the last months, although it is extremely rewarding to receive such a positive reaction to the article from Shono himself. And it is at times like these that I understand more clearly that all this work is not in vain: it is an opportunity to learn and to pass that knowledge to others. Lastly, I would like to renew my acknowledgement to Sorrel Tilley whose help in the translation department has proved essential to the fulfilment of this personal goal - and to the many others, friends and strangers who have supported me in the completion of this piece.

Monday, November 10, 2008

L.O.L. - Labour of Love


Da autoria de Ryuichi Sakamoto, a banda sonora de LACK OF LOVE (2000) é uma ecléctica mistura de estilos dissonantes que oscilam entre as sonoridades electrónicas do new age e o poder de algumas investidas instrumentais sem precedentes ao nível da composição de música para videojogos. Ao dissecar este aparente contraste, porém, é revelado um equilíbrio subjacente a toda esta obra musical: muito para além de um superficial acompanhamento sonoro, o ânimo rítmico e melódico das composições de Sakamoto revelam uma essência escondida que mais não é que a própria alma da experiência jogada.

Não obstante da obra vídeo lúdica ser portadora da assinatura do game designer Kenichi Nishi, são da autoria de Sakamoto os conceitos básicos que predizem os contextos e esquemas de jogo, facto que certifica o profundo envolvimento do galardoado músico no projecto. Em Opening Theme, Sakamoto dita um registo electrónico e etéreo onde o uso dos sintetizadores alude à mestria de Vangelis (Heaven and Hell, L'Apocalypse des Animaux), utilizados como adorno para um singular tema de piano erguido em pleno dentro dos seus códigos de composição. Esta faixa ilustra com grande intensidade o vazio e a solidão dos planos visuais que estabelecem o jogo, regressando com maior intensidade dramática para encerrar a trama com Ending Theme, onde Sakamoto reformula a melodia com variações de maior sentimentalismo, propícias ao desfecho apoteótico da narrativa.


Se em Dream, Unity e Decision Sakamoto revisita recursos sonoros expostos quer no seu trabalho em nome individual, quer no seu trabalho conjunto no grupo Yellow Magic Orchestra, em Artificial Paradise propõe um novo ímpeto ao aliar a introversão do seu próprio método de composição de música electrónica com um inesperado ritmo techno - um contraste entre new age e EDM que chega a evocar algumas tendências de Jarre em Oxygène 7-13. Um contraponto a toda a obra no geral é proposto com Crisis, um tema de cariz modernista que recorda alguns dos assaltos impetuosos de Bartók (nomeadamente em Allegro Barbaro).

Já em Mission, Sakamoto prescinde dos sons electrónicos, interpretando o tema num órgão de pedal adquirido especificamente para esta ocasião. Se escutado atentamente, é possível discernir o piar do pedal quando pressionado pelo autor, propositadamente deixado como indicador do esforço implícito ao manuseamento deste instrumento. A aquisição de sons puros e crus em instrumentos menos comuns também é verificada no tema Transformation cuja nostálgica melodia foi inscrita num rolo metálico de uma caixa de música - o tema é precedido pelo som sugestivo da corda metálica a ser apertada segundos antes da música começar. Ambas as faixas revelam o desejo de Sakamoto produzir música que não fosse instantaneamente reconhecível como temas de acompanhamento para uma banda sonora de um jogo.

Sendo LACK OF LOVE uma fuga à maioria das regras nas quais a produção de videojogos se assenta, ou pelo menos nas suas vertentes mais comerciais, esta banda sonora original editada pela WEA Japan produz uma diversificação raramente conhecida num universo já povoado com grandes obras de alguns dos melhores músicos das últimas décadas.


Trata-se de um momento de entrega absoluta que oito anos depois ainda carece do reconhecimento devido: uma composição musical que revela em cada passagem o gosto
genuíno de Ryuichi Sakamoto pelo experimentalismo, numa extraordinária tentativa de demonstrar aos jogadores o poder e autoridade da componente musical num jogo de vídeo. Presto a minha sincera homenagem não só a um dos mais importantes compositores actuais como a um trabalho que, como um símbolo, sumariza e representa alguns dos valores capazes de dirigir o meio vídeo lúdico rumo ao seu zénite artístico.